Você sabe o que há em comum entre o milagre do Rio Hudson e a comunicação corporativa?

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Por Rodrigo Schittini, CEO Guiando

Dizem que o jeito mais barato de aprender é com o erro dos outros, então aqui há uma boa oportunidade de economizar.

Até o ponto em que a Guiando tinha umas 30 pessoas – e quase todas trabalhavam juntas em um pequeno escritório -, a comunicação funcionava perfeitamente. Todo mundo sempre estava alinhado com tudo, todos sentiam as pancadas e vibravam com as vitórias juntos. As áreas trabalhavam lado a lado, diariamente. Todos almoçavam e tomavam café juntos.

O problema é que, quando uma coisa funciona de maneira natural, você nem percebe que ela existe. 

Provavelmente, só as pessoas que passaram por um processo de reabilitação se dão conta da quantidade de esforço, movimento e estímulo envolvidos em uma simples caminhada. E, também, o tamanho do impacto gerado pela falta deste movimento simples e natural.

Com a comunicação corporativa também é assim. Tudo funcionava e não nos dávamos conta. Até que crescemos e a comunicação quebrou.

Mas, o maior problema não está na comunicação quebrar em si. A questão é como isso acontece.

Em 15 de Janeiro de 2009, um Airbus A320 com 155 pessoas a bordo decolou de Nova York com destino a Charlotte, na Carolina do Norte. Enquanto estava no processo de subida, ele colidiu com um grupo de pássaros, gerando perda imediata de potência.

Ao se dar conta que havia perdido ambos os motores e que não conseguiria pousar em nenhum aeroporto, o comandante Chesley Burnett Sullenberger III, mundialmente conhecido como Sully, preparou o avião para o pouso no Rio Hudson. Com nenhuma morte e apenas cinco feridos com alguma gravidade, Sully ganhou status de herói.

Porém, durante a investigação, foi constatado que a decisão do comandante, na verdade, colocou em risco a vida de todos, pois o avião teria condições de ter pousado no aeroporto de Nova Jersey. Para sustentar essa visão os investigadores mostraram, em simuladores, que após a colisão eles tiveram tempo de ajustar a aeronave e pousar em segurança no aeroporto.

Só que houve uma falha nessa versão: os investigadores assumiram que, imediatamente após a colisão, o avião já seria direcionado para o aeroporto. Porém, havia um “tempo de reação” para que os tripulantes pudessem entender o que estava acontecendo e, só depois, tomar as melhores decisões. Quando incluíram 40 segundos entre a colisão dos pássaros e suas primeiras ações para tentar pousar o avião, foram necessárias 70 tentativas para que o pouso fosse concluído com sucesso.

No caso do Rio Hudson, esses 40 segundos foram a diferença entre pousarem em um aeroporto e pousarem no rio. Talvez mais 40 segundos significaria uma colisão com dezenas de mortos.

Com a comunicação corporativa, infelizmente, precisamos de muito mais tempo para perceber a sua quebra, principalmente, quando nem mesmo dávamos conta de que ela funcionava – o que notamos são as consequências de sua falha.

São os ruídos entre as áreas, o clima organizacional caindo, pessoas perdendo a motivação, dificuldade para se estabelecer e, principalmente, bater metas.

Após algum tempo tentando tratar problemas em diversas frentes, passamos a entender que havia algo conectando todas estas questões. Sim, a COMUNICAÇÃO CORPORATIVA.

Quanto menor for o nosso tempo de reação, mais “vidas salvamos”. E menor será o esforço para ajustarmos o que for preciso.

Mas esse tempo de reação será menor se você souber, desde o início da empresa, que a comunicação já existe (mesmo que você não precise fazer nada para ela funcionar).

Será ainda menor se, além de saber que existe, você der a devida importância a ela.

E será de 40 segundos se, além de saber que a comunicação existe e dar a devida importância, você se preparar muito para o dia em que ela quebrar.

E quem sabe você se prepare tanto, de modo que ela nem quebre e, assim como a grande maioria dos aviões do mundo, possa cumprir o seu ciclo sem nunca fazer um pouso no rio.

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